sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sobre o mito do brilhantismo islâmico (II)

"A arquitectura muçulmana, internacionalmente apreciada, também é, afinal, um êxito que se deve sobretudo aos dhimmis, a partir de origens persas e bizantinas. Em 762, quando o califa al-Mansur fundou Bagdade, confiou a concepção da cidade a um zoroastriano e a um judeu. Uma das grandes obras-primas atribuídas à arte islâmica é a Cúpula do Rochedo em Jerusalém. Mas quando o califa Abd al-Malik mandou construir o santuário no século VII, entregou os trabalhos a arquitectos e artífices bizantinos e é por isso que se assemelha tanto à Igreja do Santo Sepulcro. De facto, muitas mesquitas muçulmanas famosas foram originariamente construídas como igrejas cristãs e mais tarde transformadas, acrescentando-lhes apenas minaretes exteriores e mudando a decoração dos interiores. (...).
 Exemplos como este abundam nas áreas intelectuais que tanta admiração causaram pela cultura muçulmana. No seu livro muito elogiado escrito com o fim de reconhecer os 'enormes' contributos dos árabes para a ciência e a engenharia, Donald R. Hill admite que é muito pouco aquilo que se pode afirmar inequivocamente ter origem árabe e que a maior parte desses contributos tinha a sua origem nas populações conquistadas."- Rodney Stark, O Triunfo do Ocidente (trad. de Rui Santana Brito), Lisboa, Guerra e Paz, 2014.

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