segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Sobre a legalização de imigrantes

No Diário de Notícias de hoje escreve-se sobre a nova lei para a legalização de imigrantes. Parece que agora chega a promessa de trabalho. É uma questão de fé, portanto. Um governo de esquerda, apoiado pela extrema, manifesta uma extraordinária confiança na palavra humana. É o golpe fatal no pessimismo antropológico numa autêntica manifestação de fé secular. A fidelidade aos princípios é uma coisa bonita.
 Infelizmente, esta lei fica aquém do que é possível. Uma promessa de trabalho é suficiente para regularizar uma situação? porquê? e se o imigrante quiser apenas contemplar a paisagem? e se estivermos perante um cínico à maneira da escola filosófica grega? e porque não um hippie desejoso de viver a natureza?
 Esta exigência de promessa de trabalho contempla uma inqualificável tendência para o reaccionarismo e não fica bem a marxistas de gema. Que diria Paul Lafargue acerca disto? já não nos lembramos do texto escrito pelo genro de Marx acerca do direito à preguiça? 
 Há que ir mais além. Para o futuro a exigência deve ser outra. Há que regularizar todo o imigrante que comprove ter visto Cristiano Ronaldo na televisão. É uma demonstração mais que suficiente de integração e amor pela cultura portuguesa.
 Ao futuro imigrante deve ser exigido apenas isso. Se ele conseguir identificar o melhor jogador no mundo ganha imediatamente o direito à residência e à circulação pelo espaço Schengen. Mostram-se três retratos ao candidato: Messi, Ronaldo e Suárez e deverá apontar correctamente o nosso capitão. Acertando, receberá um kit patriótico composto pela camisola da selecção e um bonito cachecol bem como um bilhete para assistir ao próximo jogo.
 Promessa de trabalho, trabalho, bens, tudo isso é nada. Tudo isso é reacção. Estamos no século XXI! 

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